Quando o feitiço do muro mexicano de Trump se vira contra o feiticeiro

Grupo de mexicanos promoveu fecho de fronteiras para evitar influxo de cidadãos norte-americanos infectados com coronavírus.
Há ironias que não lembram ao mais astuto dos políticos e se, até agora, a retórica diplomática dos Estados Unidos e, sobretudo, do seu truculento presidente, Donald Trump se centravam na construção de um muro que dividisse o país do vizinho México, a pandemia de coronavírus veio alterar tudo.
Agora, os mexicanos decidiram inverter o rumo da história e são eles quem decidiu bloquear a travessia da fronteira de Nogales que liga o estado de Sonora ao Arizona. O objectivo é simples: impedir que os americanos infectados com Covid-19 entrem no país.
O episódio fez agora inverter os papéis que cada país representava até à eclosão da pandemia. Donald Trump tem dedicado parte da governação a uma das suas principais promessas eleitorais que foi, justamente, a construção de um longo muro para dividir os dois países e impedir, assim, que os imigrantes mexicanos entrassem ilegalmente nos EUA.
Mas esta semana o efeito foi o contrário e o feitiço parece ter-se virado contra o feiticeiro. O grupo Sonorans for Health and Life, promoveu o fecho de fronteiras para evitar o influxo de cidadãos dos EUA, país que à data registava quase 100 mil pessoas infectadas e perto de 1500 mortos por coronavírus. Este sábado a cifra nos EUA subiu para os 116 mil infectados e os mortos ultrapassavam os 1900 o que representa um record mundial. No mesmo dia o México registava pouco mais de 700 casos e 12 mortos.
O estado do Arizona registou mais de 400 infecções, com pelo menos uma morte em cada município que faz fronteira directamente com o México. Do outro lado, Sonora tem apenas quatro casos em todo o seu estado.
O que é para já um protesto, ameaça tornar-se um recurso recorrente para chamar a atenção do presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, para o perigo iminente da fuga de norte-americanos infectados para o país vizinho.








